Visão geral da abertura da 50ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.
Um grupo de oito relatores ligados ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos divulgou na quinta-feira em Genebra um texto no qual manifestam preocupação com o clima de violência política no Brasil em meio à proximidade das eleições de 2 de outubro. A declaração não cita diretamente o presidente Jair Bolsonaro (PL), mas foi considerada no meio diplomático um recado de que rupturas da ordem democrática não devem ser aceitos.
A divulgação ocorre dois dias após o discurso de Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU em Nova York. Os especialistas instam "autoridades, candidatos e partidos políticos no Brasil a garantir que as próximas eleições gerais sejam pacíficas e que a violência relacionada com as eleições seja prevenida".
O texto ainda afirma que "todos aqueles envolvidos no processo eleitoral devem se comprometer com uma conduta pacífica antes, durante e após as eleições" e que candidatos e partidos políticos "devem abster-se de utilizar linguagem ofensiva que possa levar à violência e a abusos dos direitos humanos".
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"Ameaças, intimidação e violência política, incluindo ameaças de morte contra candidatos e candidatas, continuam a aumentar online e offline, particularmente contra mulheres, povos indígenas, afro-descendentes e pessoas LGBTI — muitas vezes com base na intersecção de identidades", diz o documento. "Tais ações geram terror entre a população e impedem potenciais candidatos de concorrer a cargos. O impacto desproporcional da violência política sobre as mulheres, povos indígenas, afrodescendentes e pessoas LGBTI pode aumentar este efeito assustador entre tais grupos, limitando as oportunidades para sua representação nas decisões que os afetam, perpetuando assim o ciclo devastador da exclusão."
O texto diz também que as autoridades brasileiras devem "proteger e respeitar devidamente o trabalho das instituições eleitorais". "Expressamos ainda nossas preocupações sobre o impacto que tais ataques poderiam ter sobre as próximas eleições presidenciais, e enfatizamos a importância de proteger e garantir a independência judicial", disseram os especialistas.
Assinam o documento Clément Nyaletossi Voule, relator especial da ONU sobre os direitos à liberdade de reunião pacífica e de associação; Reem Alsalem, relatora especial sobre violência contra mulheres e meninas, suas causas e consequências; Francisco Cali Tzay, relator especial sobre os direitos dos povos indígenas; Mary Lawlor, relatora especial sobre a situação das pessoas defensoras dos direitos humanos; Morris Tidball-Binz, relator especial sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias; E. Tendayi Achiume, relatora especial sobre as formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância relacionada; Irene Khan, relatora especial sobre a promoção e proteção do direito à liberdade de opinião e expressão; e Diego García-Sayán, relator especial sobre a independência de juízes e advogados.

Fotos: Reprodução
"Estamos preocupados que este ambiente hostil represente uma ameaça à participação política e à democracia e instamos o Estado a proteger os candidatos de quaisquer ameaças, atos de intimidação ou ataques on-line e off-line", disseram os relatores da ONU.
Fonte: Com Informações Do Portal Extra Globo
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