Ao completar mais um ano de vida, colunista reflete sobre tema essencial na busca pela igualdade de salários e oportunidades, sem distinção de gênero: o envelhecimento da mulher no mercado de trabalho.
Como executiva com mais de 20 anos de carreira, sei o quanto é desafiador para uma mulher alcançar os postos de mais alta hierarquia, em virtude de questões como viés de gênero – sem falar em: falta de representatividade, desigualdade salarial, diferenças de oportunidades de mentoria e patrocínio, questões familiares e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, normas culturais, sociais e, até mesmo, recrutamento e processos de seleção não inclusivos.
E estou certa de que esses desafios se tornam ainda mais complexos quando adicionamos o componente do envelhecimento a esta equação. O etarismo é um fenômeno que afeta a todos, porém, ainda mais profundamente, às mulheres em suas carreiras. À medida em que envelhecemos, muitas vezes, enfrentamos ainda mais estereótipos e preconceitos que podem minar nossa confiança e nos fazer questionar nossa própria relevância no mercado de trabalho.
É fundamental, no entanto, quebrar esses rótulos e promover uma cultura de respeito e inclusão no ambiente de trabalho, capaz de valorizar a experiência e a sabedoria que acumulamos ao longo dos anos, mostrando o quanto esses atributos são ativos valiosos para qualquer empresa.
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Ao lado do preconceito já estabelecido quanto à questão etária, a mulher ainda tem que passar pelo escrutínio do julgamento em relação à maternidade e de suas escolhas de vida. Não raro, podem ser são confrontadas diante de decisões difíceis entre avançar em suas carreiras ou dedicar tempo à maternidade e à família. Ou, quando optam por não ter filhos, são questionadas em sua decisão e, a todo momento, alertadas de que “o seu tempo para isso está se esgotando e que talvez fosse melhor dar uma pausa na carreira e escutar o relógio biológico…” Como adoram nos alertar!
É crucial que as empresas ofereçam políticas de licença-maternidade flexíveis e apoio às mães que desejam retornar ao trabalho e promovam uma cultura de aceitação às mulheres que escolhem por não ter filhos, reconhecendo que sua contribuição para a empresa é igualmente valiosa. Hoje, passando dos 40, vejo o quanto de pressão interna colocamos sobre nós mesmas, ao longo de toda a vida, e que esse perfeccionismo e autoexigência podem ser obstáculos para o nosso bem-estar, sucesso profissional e até mesmo para nossa saúde mental.
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Por isso, gostaria de lembrar às mulheres mais jovens o quanto o autocuidado é fundamental para uma carreira sustentável e uma vida equilibrada. A busca incessante pela perfeição pode ser desgastante e, muitas vezes, desnecessária. Devemos aprender a definir metas realistas, valorizar nossos sucessos e aprender com nossos erros.
À medida em que celebro mais um ano de vida, é essencial refletir sobre como podemos apoiar e empoderar as mulheres em todas as fases de suas carreiras e vidas. O envelhecimento da mulher no mercado de trabalho não deve ser considerado um fator limitante, mas uma fonte de riqueza e diversidade.
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Fotos: Reprodução Google
Precisamos cada vez mais de solidariedade e sororidade, independentemente de suas escolhas e circunstâncias. Juntas, podemos conquistar o reconhecimento que merecemos e continuar a inspirar gerações futuras de mulheres a alcançarem seus objetivos. Agradeço a todos que me acompanharam em mais um ano de vida e espero que estas reflexões nos inspirem a promover um mundo mais igualitário.
Fonte: com informações da Revista Istoé
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