19 de Abril de 2026

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Colunistas - 19/04/2026

Sexualidade na menopausa: perspectivas físicas, psíquicas e socioculturais

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Foto: Reprodução/Google

A verdade é outra. A sexualidade não desaparece. Ela se transforma. E entender essa fase exige sensibilidade para olhar o todo.

Por Carla Martins- A menopausa nunca foi apenas uma questão biológica. Ela atravessa o corpo, sim, mas também toca a mente, a autoestima, os relacionamentos e, principalmente, a forma como a sociedade enxerga a mulher.

 

Por muito tempo, fomos ensinadas a acreditar que a menopausa seria uma espécie de ponto final. Como se, a partir dali o desejo, o prazer e a própria feminilidade entrassem em silêncio. Mas essa ideia não só é ultrapassada como também é injusta. A verdade é outra. A sexualidade não desaparece. Ela se transforma. E entender essa fase exige sensibilidade para olhar o todo.

 

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O corpo muda, e isso precisa ser acolhido

 

 

 


Com a queda dos níveis de estrogênio, o corpo começa a dar sinais claros de transformação. Algumas mulheres sentem mais, outras menos, mas é comum perceber:

 

• Menor lubrificação vaginal
• Sensibilidade e desconforto durante a relação
• Alterações no sono e ondas de calor
• Mudanças no desejo sexual

 

E aqui existe um ponto importante que quase nunca é dito com clareza: sentir dor ou desconforto não é “normal” no sentido de que deve ser aceito em silêncio. É comum, mas precisa ser cuidado. Quando a mulher tem acesso à informação e acompanhamento adequado, esse cenário muda completamente. Existem tratamentos, existem alternativas, existem caminhos. E mais do que isso, existe a possibilidade de redescobrir o próprio corpo.

 

 

A mente sente, e às vezes sente mais
Se o corpo muda, a mente acompanha.

 

A menopausa pode mexer profundamente com a forma como a mulher se enxerga. A sociedade ainda associa juventude à beleza e ao valor feminino, e isso pesa. Muitas mulheres passam a se olhar de forma mais crítica, questionam sua atratividade, sentem a autoestima oscilar. Em alguns casos, surgem ansiedade, tristeza e até sintomas depressivos. Mas existe um outro lado, que também precisa ser dito. Há mulheres que se sentem mais livres nessa fase. Mais seguras. Mais donas de si. Sem o peso das cobranças externas ou do medo de uma gravidez, elas passam a viver a sexualidade com mais autonomia e verdade. No fim, tudo passa por um ponto central: como essa mulher é acolhida, por ela mesma e pelas pessoas ao redor.

 

O silêncio social ainda machuca

 

 

Talvez o maior desafio da menopausa não esteja no corpo nem na mente, mas no silêncio que a cerca. A sociedade ainda tem dificuldade em aceitar que mulheres maduras têm desejo, têm vida sexual, têm direito ao prazer. Enquanto o envelhecimento masculino é muitas vezes naturalizado ou até valorizado, o feminino ainda é cercado de invisibilidade. Isso faz com que muitas mulheres:

 

• Se calem sobre suas dores
• Sintam vergonha de falar sobre sexo
• Achem que “já passou o tempo delas”

 

E não passou. A sexualidade não tem prazo de validade. Ela muda de forma, de ritmo, de significado, mas continua existindo. Redescobrir o prazer também é um caminho A menopausa pode ser, sim, um convite. Não para o fim, mas para uma nova forma de viver o prazer. Uma forma menos apressada, menos baseada em desempenho e mais conectada com:

 

• Intimidade
• Presença
• Afeto
• Comunicação

 

É o momento de entender o próprio corpo de outra maneira. De experimentar. De conversar. De se permitir. Falar sobre menopausa ainda é, em muitos espaços, quase um tabu. E isso precisa mudar. Acredito que o que muitas mulheres vivem nesse período não é apenas uma transição hormonal, é também um atravessamento emocional e social profundamente desafiador. A menopausa, muitas vezes, chega acompanhada de solidão, incompreensão e silêncio. Mulheres que sempre cuidaram de tudo e de todos passam a lidar com um corpo que muda, uma mente que oscila e, ao mesmo tempo, com a falta de escuta.
E isso dói.

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Dói quando o parceiro não entende.

Dói quando a dor física é ignorada.
Dói quando o desejo é deslegitimado.
Dói quando a mulher começa a acreditar que já não é mais suficiente.

 

Por isso, é fundamental dizer com todas as letras: mulheres na menopausa não precisam de julgamento, precisam de cuidado, respeito e presença.
E aqui também é necessário fazer um chamado direto aos homens. Se você está ao lado de uma mulher que atravessa a menopausa, é seu papel:

 

• Ter paciência com as mudanças
• Escutar sem minimizar
• Entender que o corpo dela está em transformação
• Não pressionar por desempenho ou frequência
• Valorizar o afeto, o diálogo e o companheirismo
• Estar disposto a aprender junto

 
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A menopausa não é um problema da mulher. É uma fase da vida que precisa ser vivida com parceria. Defendo que nenhuma mulher deve atravessar esse período sozinha, desinformada ou silenciada. Cuidar da mulher na menopausa é também enfrentar uma estrutura que, por muito tempo, tentou apagar sua voz. E não podemos permitir isso.

 

Fontes:
SANTOS, Júlio César Zvirtes dos; CAMARGO, Miria Elisabete Bairros de. A sexualidade na menopausa: perspectivas físicas, psíquicas e socioculturais

Organização Mundial da Saúde (OMS) – Saúde da mulher e envelhecimento

Ministério da Saúde (Brasil) – Atenção à saúde da mulher no climatério e menopausa
Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) – Envelhecimento saudável e gênero
 

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