O que não é compreendido agora, foi armado para não ser entendido. Será apenas digerido, depois, por aqueles que não estão no jogo.
Por Maria Santana Souza - A democracia tem disso, ela abriga a pluralidade política e na sua guarida o inesperado acontece, às vezes sem ter batido à porta para pedir entrada ou para ver se tem alguém disposto a atender, ou entender o que vai ser apresentado.
O que parece ser confuso, é apenas exercício num campo plural, diverso, cheio de eventualidades e de muita esperteza. O que não dá para entender agora, pode ser compreendido logo mais. O que não é compreendido agora, foi armado para não ser entendido. Será apenas digerido, depois, por aqueles que não estão no jogo.
É assim que se configura o quadro político no Amazonas. Parece ser confuso, mas é democrático e foi construído por quem faz parte da engenharia política. Aos eleitores, a contemplação ou apenas o voto conduzido pela grande armação dos seus pretensos líderes.
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Não se tem notícia na história sobre a renúncia orquestrada do governador e do seu vice num mesmo dia, numa mesma hora, num mesmo minuto. Foi um fato novo, inédito, singular e insólito. Ninguém esperava. Ninguém podia sequer ter pensado nessa armação extraordinária. Coisa da política, simplifica o incauto, que em outubro não saberá o que ocorreu nos bastidores, mas foi convencido a votar no resultado dessa trama, a favor ou contra.

Não sabemos nem saberemos o que se passou na noite do dia 4 de abril, último dia para desincompatibilização dos ocupantes de cargos públicos que sairão candidatos. Essas coisas ficam no campo da especulação e fogem da razão como o diabo foge da cruz. O inédito virou fato. O fato virou realidade eleitoral e não sabemos como tudo isso se refletirá na decisão do eleitor e da eleitora.

A experiência nos diz que na política até boi voa. Não há lógica. Há sim uma razão, a do resultado na busca pelo poder. Esse vale-tudo nem sempre segue o caminho da ética. Ele se justifica até mesmo pela teoria clássica, como a de Maquiavel, e sempre deixa um sentimento de frustração de quem está fora do espaço de composição. O eleitor, o cidadão e a cidadã comuns são partes do sistema, mas eles próprios não se reconhecem como partes intrínsecas desse processo. Aí viram massa de manobra.

No fim de toda essa engrenagem enrolada e bem articulada sobra um sentimento de frustração daqueles que queriam entender a jogada decisiva ou a mexida pensada para ganhar o jogo. Nem todo mundo que faz parte do processo eleitoral é sujeito ativo. Não são porque não se constroem coletivamente para interferir nas decisões. E nesse caminhar, a democracia amadurece e ganha força, mesmo com a participação de quem a combate.

Fotos: Reprodução/Google
Maria Santana Souza é empresária, jornalista, bacharel em Direito e uma das maiores referências em ativismo feminino no Amazonas. É uma das autoras da obra” Mulheres Interseccionalidades, Vivencias Amazônicas”, Idealizadora e Diretora executiva do Site” Mulher Amazônica e do Pod Cast “ Ela Pod. Maria Santana Souza tem popularizado as temáticas que envolvem as causas Femininas, desafios e conquistas. É autora de uma coletânea de artigos. Seu olhar afiado e seu discurso direto fizeram dela uma voz ativa no cenário das temáticas que envolvem as causas das Mulheres no Amazonas.
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