16 de Maio de 2026

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Saúde - 24/03/2026

Uso de testosterona cresce entre homens, mas especialistas alertam para riscos

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Foto: Reprodução/Google

Reposição hormonal sem indicação clínica pode causar infertilidade, problemas cardiovasculares e desequilíbrios; tratamento deve seguir critérios médicos rigorosos

Durante muito tempo, a testosterona foi um tema restrito aos consultórios médicos e a diagnósticos bem definidos. Hoje, no entanto, o hormônio ultrapassou a esfera clínica e passou a ocupar um lugar de destaque no comportamento contemporâneo. Em meio a uma cultura que valoriza desempenho, vitalidade e longevidade, a reposição hormonal masculina ganha visibilidade e também levanta debates importantes.

 

Mais do que uma questão de saúde, a testosterona passou a ser associada a atributos como disposição, foco, força física e até autoestima. Impulsionados por esse imaginário, homens entre 30 e 60 anos têm procurado tratamentos hormonais mesmo sem apresentar, necessariamente, quadros clássicos de deficiência. O discurso, que antes era essencialmente médico, hoje dialoga diretamente com estilo de vida.


Mas, segundo o urologista Cristiano Paiva (@espacodrcristianopaiva), é preciso cautela. “Do ponto de vista médico, a testosterona só deve ser reposta quando há hipogonadismo clínico associado a valores laboratoriais menores que 400 ng/dl, ou seja, uma deficiência comprovada do hormônio no organismo”, explicou ao VIDA. Ele reforça que não basta apenas um exame alterado: é necessário que o paciente apresente sintomas como queda da libido, disfunção erétil, cansaço excessivo, perda de massa muscular e alterações de humor.

 

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O especialista destaca ainda que o diagnóstico deve seguir critérios rigorosos, com exames realizados no período da manhã e avaliação individualizada. Diretrizes de entidades como a Sociedade Brasileira de Urologia e a Associação Americana de Urologia orientam que a reposição seja indicada apenas quando há confirmação clínica e laboratorial, evitando usos desnecessários.

 

O problema, segundo Paiva, está no uso indiscriminado, muitas vezes motivado por estética ou desempenho. “O uso de testosterona sem necessidade clínica ou sem acompanhamento pode trazer consequências importantes”, alertou. Entre os principais riscos, estão a interrupção da produção natural do hormônio, infertilidade, atrofia testicular, acne, calvície e alterações no colesterol.

 

Mais impactos

 


Além disso, há impactos que podem ser silenciosos, mas relevantes. “Pode haver aumento do risco de trombose devido à elevação do hematócrito e até alterações cardiovasculares, como hipertrofia do ventrículo esquerdo, especialmente em casos de níveis muito elevados”, explicou. Ele ressalta que níveis acima do fisiológico, superiores a 1.000 ng/dl, estão associados a maiores riscos. Outro ponto importante é que nem todo sintoma está, de fato, relacionado à testosterona baixa. Cansaço, desânimo e queda da libido, por exemplo, podem estar ligados a fatores como estresse, sedentarismo, má qualidade do sono e alimentação inadequada. Nesses casos, mudanças no estilo de vida podem ser suficientes para restaurar o equilíbrio hormonal de forma natural.

 
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A busca por performance, no entanto, tem contribuído para distorcer o conceito de saúde. A ideia de que níveis mais altos de testosterona representam automaticamente mais bem-estar não corresponde à realidade médica. “A medicina não busca potencializar hormônios, mas corrigir deficiências de forma segura”, pontuou o especialista - destacando que excesso também é sinal de desequilíbrio. Diante desse cenário, o alerta é claro: a reposição hormonal deve ser sempre conduzida com responsabilidade e acompanhamento profissional. “Testosterona não é atalho para performance, é tratamento para doença. Fora disso, o risco pode ser maior do que o benefício”. 

 

Fonte: com informações Acrítica

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