As mulheres pobres sempre menstruaram nesse Brasil e a gente não viu nenhum governo se preocupar com isso
A ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), Damares Alves, saiu em defesa do veto do presidente Jair Bolsonaro à distribuição de absorventes para mulheres. Em evento em Francisco Beltrão, no Paraná, Damares disse:
“Hoje a gente tem que decidir, a prioridade é a vacina ou é o absorvente? As mulheres pobres sempre menstruaram nesse Brasil e a gente não viu nenhum governo se preocupar com isso. E agora o Bolsonaro é o carrasco, porque ele não vai distribuir esse ano”.
Na proposta, avalizada pelo Senado, os itens básicos de higiene deveriam ser distribuídos para estudantes de baixa renda de escolas públicas e mulheres em situação de rua ou de vulnerabilidade extrema.
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Ao justificar o corte, Bolsonaro argumentou que a proposta não
indicaria uma "fonte de custeio ou medida compensatória"
A decisão trouxe novamente ao debate o conceito de “pobreza menstrual” – agravada pela pandemia – e a dificuldade de promover políticas públicas capazes de acolher esses públicos.
O governo quis justificar o veto, ontem, com publicação no Diário Oficial sob o argumento de que o projeto vindo do Congresso não estabeleceu as fontes de custeio.
Falso dilema

Governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB)
Entre as autoridades que não aprovaram a postura de Bolsonaro, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), criticou a decisão do governo federal. “O combate à pobreza menstrual é um tema que requer a atenção de todos os agentes públicos, principalmente, quando afeta a educação, provocando a ausência das estudantes durante o ciclo”, disse nas redes sociais. “Questões sociais, biológicas e emocionais que afetam da vida da mulher nesse período. É inaceitável qualquer movimento que estimule a desigualdade de gênero e classe”, afirmou ainda.

Carlos Lula é o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde
Em entrevista, Carlos Lula, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), disse que a ministra coloca em discussão um “falso dilema”.
“Se a disputa se dá por espaço no orçamento, é só verificar o custo que seria para termos um programa que dá dignidade às mulheres e o custo de eventos sem nenhum significado prático para o país, como motociatas. O dilema posto é falso. Poderia ser cortado gastos com propaganda institucional, por exemplo. Mas nunca afirmar que o veto se dá porque não haveria recursos para vacinação. Isso não faz nenhum sentido.”
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Programa liderado por Michelle repassa verba a ONGs aliadas de
Damares, denunciou o jornal Folha de S. Paulo em 22/09/2020
Contudo, a ministra Damares, manteve a argumentação, afirmando que o governo federal ofertará absorventes íntimos “na hora certa”, pois atualmente todo orçamento do Ministério da Saúde é direcionado para remédio e vacina. “Não vamos tirar o arroz da cesta básica para colocar um absorvente, mas estamos muito preocupados com isso sim.”

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Damares argumenta que o governo federal ofertará absorventes
íntimos “na hora certa”(Fotos: Reprodução)
Fonte: RBA
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