o último ano da gestão Bolsonaro, os números de agressões contra elas cresceu: no Brasil, 14 mulheres foram agredidas por minuto
Enraizada de maneira vergonhosa em nossa história, a violência contra mulher obedece a diferentes valores atribuídos culturalmente ao longo de centenas de anos à sociedade brasileira. É um triste legado que precisa ser combatido diariamente. Pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que todas as formas de violência contra a mulher apresentaram crescimento acentuado no ano passado. Considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das cinco melhores leis do mundo de enfrentamento à violência feminina, a lei Maria da Penha foi sancionada em 2006. É um marco para os direitos das mulheres brasileiras, mas que não tem sido suficiente para frear o aumento assustador dos números de casos de agressão no País, que teve mais de 18 milhões de vítimas em 2022.
“Acho importante dizer que o Brasil é um País tradicionalmente violento no que diz respeito às relações interpessoais, especialmente por conta do nosso histórico de escravidão e desigualdade social”, afirma Juliana Martins, coordenadora institucional do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Segundo o levantamento, uma em cada três brasileiras com mais de 16 anos sofreu violência física e sexual provocada por seu parceiro íntimo ao longo da vida. Mais de 21,5 milhões de mulheres, ou seja, 33,4% da população feminina brasileira passou por algum tipo de agressão. Seja no ambiente de trabalho ou no transporte público, o assédio sexual atingiu recordes inimagináveis.
Perfil de epidemia
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Para Jackeline Romio, doutora em demografia da Unicamp e Especialista de Programa no UNFPA LACRO do Fundo de População da ONU, esses números são compatíveis aos de uma epidemia. “A violência baseada em gênero é um desafio global que impacta no desenvolvimento social e econômico das mulheres. Inclusive já há um consenso de que, no Brasil, ela tem dimensões de uma epidemia”, diz. Em comparação com levantamentos anteriores, agressões físicas, ofensas sexuais e abusos psicológicos se tornaram ainda mais frequentes na vida das brasileiras. “O fato de a pena ser branda ou grave não influencia na hora de cometer o crime. É uma questão cultural, a mulher é tratada como um patrimônio”, avalia o professor de Direitos Humanos da Universidade Estácio de Sá.

Estudo do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) revelou que em 2022 ocorreu a menor alocação orçamentária para o enfrentamento dos crimes contra mulheres em uma década. A gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro abriu espaço para grupos ultraconservadores, que encontraram espaços para florescer. Foi um governo, por exemplo, em que se consolidaram as agressões contra jornalistas, principalmente do gênero feminino.

Fotos: Reprodução
A socióloga Leandra Brito de Jesus acredita que o Estado tem de ser mais eficiente no acolhimento da vítima, para que ela possa se sentir segura para expor sua realidade e não se sentir constrangida. “É preciso que o delegado entenda e conheça a diversidade de gênero, assim como todos os atores envolvidos”, diz. E, ainda que não se possa hierarquizar os traumas provocados por diferentes formas de violência, o fato é que estamos diante de um crescimento agudo dos episódios graves, que podem levar ao feminicídio. Se os números têm o poder de chocar, também podem funcionar como bússola para guiar a ação do Estado, empresas e da sociedade civil, em busca de soluções capazes de garantir a vida e segurança de milhares de brasileiras.
Fonte: com informações do Portal Istoé
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