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Mulher na Política - 17/02/2023

Viúva de Bruno Pereira a antropóloga Beatriz de Almeida Matos será a diretora responsável por povos indígenas isolados

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Foto: Reprodução

Antropóloga Beatriz Matos é uma referência na área e conheceu o marido trabalhando no Vale do Javari

A antropóloga Beatriz de Almeida Matos vai chefiar a diretoria responsável por povos indígenas isolados e de recente contato no Ministério dos Povos Indígenas do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Ela é a viúva de Bruno Pereira, assassinado enquanto trabalhava com indígenas do Vale do Javari, na Amazônia, em junho de 2022. A região é considerada com a maior concentração de comunidades isoladas no mundo.

 

Professora da Faculdade de Ciências Sociais e da pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal do Pará (UFPA), Beatriz tem experiência de trabalho e pesquisa na terra indígena do Vale do Javari. Ela tem mestrado e doutorado em Antropologia Social. A nomeação foi publicada na terça-feira pela Casa Civil.

 

Bruno foi morto enquanto realizava um trabalho voluntário de preparar indígenas para defender o próprio território. Ele era acompanhado pelo jornalista inglês Dom Phillips, também assassinado. A ação vinha contrariando interesses do crime organizado na região de tríplice fronteira por resultar em apreensões de itens retirados ilegalmente do território preservado. A Polícia Federal concluiu que o duplo homicídio foi praticado a mando de um estrangeiro acusado de liderar uma rede de pesca e exploração ilegais.

 

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'Honra'

 

Viúva de Bruno será diretora para povos isolados

 

Desde que o duplo homicídio ganhou repercussão nacional, Beatriz tem participado de debates alertando para a escalada da criminalidade no Javari. "É uma honra fazer parte deste ministério. Aceitei o desafio com esperança, alegria e saudade. Vou com ele e vários parceiros para fazermos o que sonhamos juntos", afirmou a antropóloga, em redes sociais.

 

Viúva de Bruno Pereira vai dirigir departamento de indígenas isolados em  ministério

 

O casal se mudou para Brasília em 2018, quando Bruno assumiu a Coordenação-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato da Fundação Nacional do Índio (Funai). Na fundação desde 2010, ele vinha sofrendo perseguições internas por contrariar interesses de exploradores ilegais.

 

Professora Beatriz de Almeida Matos, viúva de Bruno Perreira, é nomeada  diretora do Ministério dos Povos

 

Com o governo Bolsonaro e a nomeação do delegado Marcelo Xavier para chefiar a Funai, o indigenista passou a sofrer pressão de ruralistas e líderes evangélicos. Ele foi retirado do cargo em 2019, após coordenar operação que destruiu balsas de garimpo na terra indígena, e a família voltou para Belém.

 

Viúva de Bruno Pereira é nomeada para cargo no governo - GS NOTÍCIAS -  Portal Gilberto Silva

Fotos: Reprodução

 

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A partir daí começou a trabalhar voluntariamente para a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). Na função, capacitava indígenas para que fiscalizassem e denunciassem a invasão das terras.

 

Beatriz foi uma das redatoras do relatório técnico elaborado pelo Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (Opi) e entregue ao governo de transição, em novembro. Ela também já presidiu a entidade.

 

Fonte: Com informações Jornal O Estado de S. Paulo.

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