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Diversidade - 29/12/2023

Yemanjá: Festival combate demonização das religiões de matriz africana em Manaus

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Foto: Reprodução Google

Neste ano, o intuito é desconstruir a imagem demoníaca imposta às religiões de matriz africana.

Para começar 2024 com energia positiva e muito axé, desta sexta-feira a domingo, dias 29, 30 e 31, a Praia da Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus, recebe o 13º Festival Afro-Amazônico de Yemanjá, com o tema Exú – Abrindo Nossos Caminhos. Organizado pela Articulação Amazônica dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro de Matriz Africana (Aratrama), a edição superou desafios que, por pouco, não inviabilizaram a realização do evento. Neste ano, o intuito é desconstruir a imagem demoníaca imposta às religiões de matriz africana.

 

De acordo com o coordenador-geral do festival, Alberto Jorge Silva, após a primeira Marcha Para Exú ficou nítido que as religiões de matriz africana precisavam trabalhar essa desconstrução. “O nosso maior problema em todos esses anos é a demonização que as religiões de matriz africana têm passado. Nós fizemos a Marcha Para Exú, em setembro, e ficou bastante evidente que o nosso povo sente essa necessidade de trabalhar essa desconstrução da imagem demoníaca”, afirmou.

 

O tema ressalta a importância do respeito à diversidade e combate ao racismo religioso. “É justamente para fazer valer essa ideia de que Exú, os nossos orixás não são demônios, mas são divindades que podem abrir os caminhos e podem trazer coisas boas”, afirma pai Alberto.

 

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Exú e Yemanjá

 

 

Exú é uma das entidades mais louvadas das religiões de matriz africana, mas é visto de formas diferentes. No candomblé, é uma divindade, a personalização de fenômenos e energias naturais. Na umbanda, é um espírito ligado aos caminhos, que incorpora nos médiuns para ajudar as pessoas na própria evolução.

 

Seja qual for a interpretação, uma coisa é certa: Exú não tem nada a ver com o demônio ou uma entidade do mal. “Exú é orixá e é filho de Yemanjá, está junto com Yemanjá. Vamos fazer uma festa bonita louvando Exú, que vai reger este ano de 2024”, destaca Pai Alberto.

 

Virada do Vale

 

 

O Festival Afro-Amazônico de Yemanjá é realizado em conjunto com a Virada do Vale 2023, que busca criar um espaço diferenciado para acolhimento do público LGBTQIAPN+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Queer ou Questionadores, Intersexuais, Assexuais, Panssexuais, Não-Bináries, e outros), para celebrarem, de maneira especial, o Réveillon de 2024.

 

“Desde 2018, o Festival Afro Amazônico de Yemanjá é um evento que acolhe o público LGBTQIA+. Não tem, em toda cidade, um evento público voltado à essa parcela da população”, destaca o organizador do evento.

 

Dificuldades

 

 

Com apoio da Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação Municipal de Cultura, Eventos e Turismo (ManausCult), a organização do evento enfrentou dificuldades para firmar parceria e garantir a realização da festividade. No ano passado, a falta de apoio também gerou incerteza sobre o evento, que mesmo diante das dificuldades, foi concretizado.

 

“Desde janeiro desse ano nós procuramos dialogar com a prefeitura”, afirma o líder religioso, que retomou o contato em maio deste ano, com o então presidente da Manauscult, Osvaldo Cardoso. “Tratamos do Festival de Yemanjá, do Balaio da Oxum no Encontro das Águas, de toda a programação da Aratrama, e ficamos de ter um retorno dessa conversa, e esse retorno não aconteceu. De lá para cá, silêncio total”, disse.

 

Com a falta de diálogo e com a exoneração do então presidente da fundação, a coordenação da Aratrama procurou novamente a secretaria responsável pela organização de eventos na capital, e somente nos últimos momentos, o apoio foi garantido.

 

Fotos: Reprodução Google

 

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Programação

 

O evento inicia nesta sexta-feira, 29, a partir das 18h. No último dia, a programação inicia em 31 de dezembro e segue até a manhã do dia 1º de janeiro de 2024. A entrada é gratuita. Cada terreiro tem seus ritos, horários e liturgias específicas que poderão ser realizadas no local. Mesmo com algumas atrações não confirmadas, devido à demora na resposta do poder público sobre apoio financeiro e estrutural, o festival contará com shows de artistas representantes da diversidade, além de apresentações artístico-culturais.

 

Fonte: com informações da Revista Cenarium 

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